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Náutico pode ser tombado pelo Estado nesta quarta; diretoria do clube é contra

Para o diretor-presidente do Náutico Atlético Cearense, o arrendamento da parte não tombada pelo município é uma saída às dívidas acumuladas; já o tombamento total pode ser "a ruína do clube"

23:45 | 16/01/2018
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Reunião do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (Coepa)  votará nesta quarta-feira, 16, às 9 horas, para definir sobre o tombamento do prédio do clube Náutico Atlético Cearense. A intervenção é proposta para nível estadual, já que parte do clube é tombada pelo município de Fortaleza. 
 
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A decisão ocorrerá na sede da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), localizada no edifício Cineteatro São Luiz, no Centro da Capital. A decisão é polêmica ao gerar divergências entre grupos a favor da preservação completa do patrimônio e defensores da área não tombada para geração de recursos. 
 
[SAIBAMAIS]
Para o engenheiro eletricista Aderbal Aguiar Júnior, integrante do Movimento Náutico Urgente, o clube é um local histórico, tendo recebido nadadores conhecidos mundialmente. Ele argumenta que o equipamento histórico hoje é indisponível à sociedade.
 
%2b Opinião: Náutico Atlético Cearense: patrimônio de todos, por Geovana Cartaxo 
 
No caso de equipamento histórico de propriedade privada, a preservação dele viraria uma obrigação garantida por lei. "Isso não significa que os proprietários não tenham autonomia de tomar decisão sobre seus destinos, mas a preservação dele passa a não ser mais passível de negociação", defende Aderbal. 
 
Hoje, o parque aquático e as quadras de tênis e basquete são fechadas ao público. O restaurante, os salões sociais e as partes consideradas históricas do clube são abertas também às pessoas não-sócias. Aderbal frisa que a área de entorno do clube precisa estar livre para visibilidade e segurança da parte tombada. 
 
Diretoria
No entendimento do diretor-presidente do Náutico, Pedro Jorge Medeiros, quadras e estacionamentos não são tombáveis por “não terem valor histórico”. Nesses espaços, na verdade, a ideia é “fazer negócio e ter renda para manter inclusive a parte tombada”. 
 
“O Náutico tem dívidas. Uma ideia é arrendar a parte não tombada pelo município. O entendimento do conselho de sócios e da diretoria do clube é que, se tombar, será a ruína do clube”, completou Pedro Jorge.
 
Impostos
Aderbal diz que se o clube tivesse feito a opção pelo tombamento municipal há mais tempo - houve tombamento provisório em 2006 e definitivo em 2012 -, ele estaria isento da cobrança do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbano (IPTU).
 
“A dívida acumulada demanda certo grau de atenção", coloca Aderbal. Hoje, são R$ 61 milhões. Deste total, R$ 44 milhões são de IPTU; R$ 16 milhões em dívidas com o Fisco Federal; e R$ 1 milhão referente a tributos estaduais. O clube não confirma os números.
 
Pedro Jorge rebate: “O IPTU custa anualmente mais de R$ 2 milhões, é um valor altíssimo. O tombamento não gera isenção, apenas desconto de 30%. Permaneceria um valor impraticável”.
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