NOVO DISCO. LANÇAMENTO

Com pop de autoafirmação, Filipe Catto lança novo disco

11/12/2017 | 01:30
Imagem que ilustra a capa do terceiro disco de Filipe Catto foi feita no calçadão de Coney Island, em Nova York Foto: Lorena Dini/Divulgação
Imagem que ilustra a capa do terceiro disco de Filipe Catto foi feita no calçadão de Coney Island, em Nova York Foto: Lorena Dini/Divulgação

João Gabriel Tréz

 

 

 

Dono de uma voz hipnotizante e poderosa, o cantor e compositor gaúcho Filipe Catto é um artista jovem, mas com ar de veterano. Com 30 anos, ele despontou em 2011, quando gravou o primeiro álbum, Fôlego, e de lá para cá lançou outros registros, em estúdio e ao vivo. Até o início deste ano, no entanto, não pretendia lançar outro álbum. “Não tinha planos de gravar um disco. Pensava em lançar um single, um EP, nem sabia o tamanho do projeto”, explica o artista, em entrevista por telefone ao O POVO. A falta de planos concretos mudou quando ele conheceu Felipe Puperi, que viria a ser o produtor do trabalho.


“Quando o conheci (no início de 2017, em Porto Alegre), tive a sensação de que era a hora. Falei ‘vamo?’ e ele respondeu ‘vamo’. A gente tava na minha casa, tomando um vinho, viajando loucamente, e foi pensando em tudo”, reconta. A intenção, como o artista lembra, era a de “um disco com camadas, sons, nuvens, glitter, luz”. Assim nasceu CATTO, terceiro álbum do artista.


Para além do fato de levar o sobrenome de Filipe no nome, o disco traz uma carga pessoal marcada também no tema e na forma, com uma atmosfera quase mágica. “Os símbolos presentes no disco são do meu dia-a-dia. Sou super esotérico. As sereias, essa atmosfera, isso é minha natureza, um universo onírico que foi construído desde a minha infância e segue até hoje”, elabora Filipe. “Criar uma coisa tão ‘360º artista’ é complexo. Envolve música, mas também vídeo, foto, texto, figurino. Me botei realmente no lugar de ‘artista’. CATTO é uma auto-invenção baseada em fatos reais”, explica.


Apesar de tamanha pessoalidade (ou talvez por conta dela), Filipe é mais intérprete do que compositor no disco - das dez canções, sete são assinadas por outras pessoas. “As músicas (do álbum) têm uma ligação entre si que eu respeito muito. Adoro compor e talvez eu faça um disco só de músicas minhas, não sei, mas eu continuo sendo um intérprete”, afirma. “O repertório traz o que estava querendo sair da minha boca naquela momento. Como eu sei disso? Por intuição. Intuição é a única coisa em que eu confio na hora de criar”.


CATTO abre espaço para uma sonoridade mais voltada ao pop e influências eletrônicas. A presença de composições como Arco de Luz (de Marina Lima e Antônio Cícero) e Só Por Ti (escrita e cantada por Filipe e Zélia Duncan) aponta as principais influências do artista nesse sentido. “Minha mãe é a fã número da Marina, lembro da Zélia surgindo nos anos 1990 e eu fiquei muito seduzido. É o que eu ouvi a vida inteira. Adoro o (Paulinho) Moska, o Herbert (Viana, Os Paralamas do Sucesso), a Adriana Calcanhotto, Pato Fu”, elenca. “O pop brasileiro é muito interessante, se mescla, se frequenta. O dos anos 1990 tem uma simplicidade sofisticada muito inteligente. Como público, eu sinto um pouco de falta dessa sofisticação, canções que todo mundo conhece, gosta e são excelentes”, avalia. “Hoje, temos eu, a Tulipa (Ruiz), a Tiê, o Johnny (Hooker), mas as pessoas acabam não conhecendo porque, sei lá, a rádio e a televisão não compreendem o potencial desses artistas, que é imenso. Imagina uma Adriana Calcanhotto surgindo hoje? Ela tinha canções populares, mas puta inteligentes, cool. Eu acho o trabalho que a gente faz super pop. A gente deveria tocar na rádio 24 horas por dia! (risos)”, sugere.


É através de tanta autenticidade e autoconfiança que o disco, como defende Filipe, é “absolutamente político”. “Ele tem um monte de texturas, viagens e camadas porque, no fim das contas, a gente tem essas coisas. É um disco sobre viver o presente, ser quem se é”, afirma Filipe em entrevista ao O POVO.


“Ao mesmo tempo em que é difícil viver em 2017 por ser um momento intrincado e cheio de complexidades e injustiças, também vejo um dos momentos históricos mais ricos, por termos a oportunidade de fazer diferente. A potência que eu tenho junto dos meus é muito grande. Expandir o que a gente faz de bom é urgente. É assim que a gente vai conseguir dar a volta: se apoiando e se afirmando. A máquina não vai destruir nosso espírito. Podem tirar meu palco, mas eu vou seguir colocando minha calça de paetê verde e vou cantar na praia, foda-se. Eles não vão me calar e nem calar os meus. A gente é foda”, finaliza.

 

Serviço 


CATTO

Novo disco de Filipe Catto

Gravadora: Biscoito Fino

Disponível em todas as plataformas digitais
Recomendadas para você

Comentários

  • Imóveis
  • Veículos