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Editorial: "Bolsas da Funcap: tiro no pé"
Opinião

Editorial: "Bolsas da Funcap: tiro no pé"

Os cortes atingem, em cheio, o fomento à pesquisa E à inovação, no estado
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A Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) desde agosto passado deixou de renovar 750 bolsas de iniciação científica para dez instituições de ensino e pesquisa do Ceará. Já era para ter feito novo edital anual para o período que se encerraria em agosto de 218, mas não o fez. O motivo seria a falta de recursos. Os cortes atingem, em cheio, o fomento à pesquisa e à inovação, no Estado, e podem provocar retrocesso nos avanços registrados pelas instituições de ensino superior no Ceará, beneficiadas.


O investimento de R$ 300.000 mensais (ou R$ 400 por aluno) proporcionava uma base mínima para a iniciação científica, repercutindo nos programas de mestrado e doutorado. Ou seja, atuava como verdadeira “semente da pós-graduação”, segundo o juízo de quem lida com o assunto. O impacto provocado pelos cortes foi tal que provocou a redução de 17% a 25% na oferta total de bolsas em cada universidade — até mesmo nas disponibilizadas por outras instituições de apoio científico.


Trata-se até de um paradoxo, pois os cortes incidem no momento mesmo em que algumas delas registram grande reconhecimento nacional e internacional. Basta dizer que a Universidade Federal do Ceará (UFC) recebeu nota máxima na avaliação do Conceito Institucional, feita pelo Ministério da Educação (MEC). Mais: três programas de mestrado e doutorado da UFC atingiram padrão máximo internacional em avaliação de cursos no Brasil, fazendo frente a instituições de regiões historicamente muito beneficiadas. Os cortes nas bolsas da Funcap atuam como um “balde de água fria” na motivação dos que fizeram um belo esforço para colocar a UFC em patamares cada vez mais altos.


Como bem reconhece o presidente da Funcap, Tarcísio Pequeno, a situação “não é normal para a relação da fundação com as universidades”, já que não seria resultado de uma deliberada política do governo estadual, mas traduziria apenas “uma dificuldade ocasional”. Não há como negar o desafio que significa aportar recursos nessa área, numa quadra em que o governo central vem provocando imensos cortes nos gastos públicos, mas ensino e pesquisa são investimento, não gasto. Corte, nessa área, é “tiro no pé”, pois provoca consequências negativas estratégicas para o futuro do Ceará e da Nação.


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