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Davi pega no joelho do pai, que se abaixa para ouvir de perto o filho. As mãozinhas em concha vão ao encontro do ouvido paterno. Como segredo, o pedido é por brincadeira e deixa clara a cumplicidade compartilhada. Em três anos, a despeito do sopro que desatinou a relação de Nikollas e de Flávia, mãe dos meninos, Davi e o pai nunca soltaram as mãos. Já Matheus só em maio veio morar definitivamente com o irmão e o segundo pai que a vida lhe deu. Antes disso, ele foi com a mãe para Foz do Iguaçu e para São Paulo. O vento que levou o menino para longe foi o mesmo que apertou o peito do pai.


“Conheci o Matheus quando ele tinha um ano de idade. Me apaixonei por ele antes mesmo de me apaixonar pela mãe dele. Primeiro tentei que ele me chamasse de tio, mas quando ele, com três anos, veio morar aqui com a mãe, começou a me chamar de pai. Eu dizia: ‘Não, filho, chama de tio’. Mas a psicopedagoga do colégio disse que ele estava em fase de ver todos os amiguinhos com o pai e que, se eu fosse a pessoa que fazia tudo por ele, que eu deixasse ele me chamar de pai. Fiquei totalmente realizado, porque ele é meu filho, não importa sangue ”, relembra como a brisa leve resolveu de acender o amor que podia ser inesperado.

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Na mesma leva, Matheus conquistou a família inteira, que ainda hoje forma a rede de apoio do trio, e virou o apreço desmedido de uma avó que viu no menino uma extensão da própria prole. Quando, em janeiro deste ano, a morte veio e o sopro da vida se esvaeceu de dona Gerda, o pulsar dos dias virou vendaval para Nikollas e somente a certeza de ter os dois sorrisos dos rebentos feito farol faz a vida ter sentido.


É na saudade da mãe e nos ensinamentos que ela deixou que Nikollas vai tecendo a paternidade solo. Sem ter tido a referência de um pai presente, desses que alumiam a adolescência, que seguram a mão na primeira barba a ser feita, que levam ao Castelão para torcer pelo Vozão, que são ombro, o enfermeiro prometeu que nunca seria ausência. Nem se o vento atordoasse o caminho.


“Estou em uma situação que é muito mais comum, infelizmente, de uma mulher estar. Mulher cuida de dois, três, cinco filhos sozinha, e isso é normalizado. Minha mãe mesmo fez muito sacrifício para criar a mim e minhas irmãs. Aí, quando a sociedade vê um pai criando, não falta quem diga ‘Ah! você está de parabéns!’. Eu não aceito os parabéns. Não é mais que minha obrigação. Quantas mulheres fazem isso e não recebem parabéns? Faço uma coisa que todos deveriam fazer, que é criar os filhos. Deixar de criar os filhos é perder uma forma de amor que não se encontra em mais ninguém”, ensina.


Calejado das reviravoltas da ventania, Nikollas aprendeu que é preciso viver de presente, de agora. Deixa que o futuro se desenhe nos planos da irmã Isabelly Vidal, que divide o lar e é colo, afeto e equilíbrio para eles.“O máximo que faço é perder um pouco o sono, pensando de noite o que posso fazer melhor para eles amanhã”, conta, sorrindo com a lembrança que o amor dos três enche a cama num dormir escanchado. O trio vive numa simbiose: o movimento de um vai guiando o outro, como um tripé que sustenta o todo. Três pilares.


As preocupações de Nikollas são, quase sempre, com os estudos dos dois pequenos, “porque isso que vai ajudar que eles sejam pessoas de bom coração”; e com ser sempre um pai inteiro para a dupla, igualmente, sem diferenças. Quando, mais para frente, Matheus entender que não traz no sangue os mesmos traços do pai, Nikollas quer que ele perceba que isso não foi sequer respingo na calidez do seu amor de pai. Nikollas tenta ir construindo o hoje, que o vento é danado, atiça e apaga, demove e aproxima. Só não muda o amor.


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O amor que tem nome de pai

12/08/2017 | 17:00
O amor que tem nome de pai

Domitila Andrade


A voz treme quase entrecorta, e o olhar, antes seguro, perde o prumo. Nikollas Vidal, 28, enfermeiro, se vê diante da pergunta sobre o vento que muda o curso da vida: e se, por desventura, os dois pequenos fossem fazer morada onde sua vista não alcança? O pai de sangue de Davi Luiz, 3, e de coração de João Matheus, 5, se vê num dilema. “Se um dia a mãe deles estiver em uma situação melhor que a minha e for bom pra eles, por condições financeiras, por um acesso a uma escola de mais qualidade, deixaria que eles fossem. Quem é mãe e pai abre mão da própria felicidade pelo sorriso do filho. Mas eu mudaria o que fosse preciso na minha vida para ir junto”.


Davi pega no joelho do pai, que se abaixa para ouvir de perto o filho. As mãozinhas em concha vão ao encontro do ouvido paterno. Como segredo, o pedido é por brincadeira e deixa clara a cumplicidade compartilhada. Em três anos, a despeito do sopro que desatinou a relação de Nikollas e de Flávia, mãe dos meninos, Davi e o pai nunca soltaram as mãos. Já Matheus só em maio veio morar definitivamente com o irmão e o segundo pai que a vida lhe deu. Antes disso, ele foi com a mãe para Foz do Iguaçu e para São Paulo. O vento que levou o menino para longe foi o mesmo que apertou o peito do pai.


“Conheci o Matheus quando ele tinha um ano de idade. Me apaixonei por ele antes mesmo de me apaixonar pela mãe dele. Primeiro tentei que ele me chamasse de tio, mas quando ele, com três anos, veio morar aqui com a mãe, começou a me chamar de pai. Eu dizia: ‘Não, filho, chama de tio’. Mas a psicopedagoga do colégio disse que ele estava em fase de ver todos os amiguinhos com o pai e que, se eu fosse a pessoa que fazia tudo por ele, que eu deixasse ele me chamar de pai. Fiquei totalmente realizado, porque ele é meu filho, não importa sangue ”, relembra como a brisa leve resolveu de acender o amor que podia ser inesperado.


Na mesma leva, Matheus conquistou a família inteira, que ainda hoje forma a rede de apoio do trio, e virou o apreço desmedido de uma avó que viu no menino uma extensão da própria prole. Quando, em janeiro deste ano, a morte veio e o sopro da vida se esvaeceu de dona Gerda, o pulsar dos dias virou vendaval para Nikollas e somente a certeza de ter os dois sorrisos dos rebentos feito farol faz a vida ter sentido.


É na saudade da mãe e nos ensinamentos que ela deixou que Nikollas vai tecendo a paternidade solo. Sem ter tido a referência de um pai presente, desses que alumiam a adolescência, que seguram a mão na primeira barba a ser feita, que levam ao Castelão para torcer pelo Vozão, que são ombro, o enfermeiro prometeu que nunca seria ausência. Nem se o vento atordoasse o caminho.


“Estou em uma situação que é muito mais comum, infelizmente, de uma mulher estar. Mulher cuida de dois, três, cinco filhos sozinha, e isso é normalizado. Minha mãe mesmo fez muito sacrifício para criar a mim e minhas irmãs. Aí, quando a sociedade vê um pai criando, não falta quem diga ‘Ah! você está de parabéns!’. Eu não aceito os parabéns. Não é mais que minha obrigação. Quantas mulheres fazem isso e não recebem parabéns? Faço uma coisa que todos deveriam fazer, que é criar os filhos. Deixar de criar os filhos é perder uma forma de amor que não se encontra em mais ninguém”, ensina.


Calejado das reviravoltas da ventania, Nikollas aprendeu que é preciso viver de presente, de agora. Deixa que o futuro se desenhe nos planos da irmã Isabelly Vidal, que divide o lar e é colo, afeto e equilíbrio para eles.“O máximo que faço é perder um pouco o sono, pensando de noite o que posso fazer melhor para eles amanhã”, conta, sorrindo com a lembrança que o amor dos três enche a cama num dormir escanchado. O trio vive numa simbiose: o movimento de um vai guiando o outro, como um tripé que sustenta o todo. Três pilares.


As preocupações de Nikollas são, quase sempre, com os estudos dos dois pequenos, “porque isso que vai ajudar que eles sejam pessoas de bom coração”; e com ser sempre um pai inteiro para a dupla, igualmente, sem diferenças. Quando, mais para frente, Matheus entender que não traz no sangue os mesmos traços do pai, Nikollas quer que ele perceba que isso não foi sequer respingo na calidez do seu amor de pai. Nikollas tenta ir construindo o hoje, que o vento é danado, atiça e apaga, demove e aproxima. Só não muda o amor.


 
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