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Cícero Dias é “um dos mais importantes pintores modernistas brasileiros”. É assim que o artista pernambucano, nascido em 1907 na pequena cidade de Escada, é definido pelo galerista Max Perlingeiro. Parte do trabalho do modernista poderá ser vista, a partir da próxima quinta-feira, 30, na exposição Cícero Dias (1907-2003), na galeria Multiarte. A curadoria é dividida entre Max e Angela Grando, biógrafa do artista e doutora em Teoria da História da Arte Pela Universidade de Sorbonne. Além da mostra, que tem entrada gratuita, o público pode ainda participar de uma conferência proferida por Angela, que ocorre na própria quinta, às 19 horas — pede-se que os interessados confirmem presença por telefone.

[SAIBAMAIS]

Trajetória

A curadoria da exposição propõe o estabelecimento da trajetória do artista através das obras escolhidas, quase todas inéditas na Cidade. “Dá para seguir o percurso da pintura dele de uma forma muito positiva. Não é uma retrospectiva, pois seria muita pretensão, mas eu chamo essa exposição de ‘trajetória’”, conta Max à reportagem, em visita guiada à Galeria. O recorte curatorial, dividido em “núcleos”, promove uma viagem entre diferentes fases do artista, das aquarelas às pinturas, passando também pelas influências europeias.

Abrindo com gravuras e aquarelas feitas por Cícero na década de 1920, quando ele tinha cerca de 20 anos, a exposição revela de início um artista “vigoroso”. “Nas obras juvenis você vê o vigor do desenho. Ele não teve formação acadêmica. O percurso dos artistas era ir à Escola de Belas Artes, onde paisagem era paisagem, rua era rua, mulher era mulher”, ilustra. No entanto, Cícero transgredia esses padrões. “O artista moderno pinta o que não existe. Sobretudo um como ele, com uma carga onírica, surrealista, exagerada. Ele fez isso sem ter visto Chagall (1887-1985, pintor russo surrealista), por pura intuição e entusiasmo juvenil”.

 

Movimentações

As inspirações inicialmente intuitivas de Cícero foram se elaborando a partir das movimentações do artista: ele primeiro deixa Pernambuco e passa a morar no Rio de Janeiro, no final dos anos 1920. Na capital fluminense se depara com a efervescência artística do modernismo e participa do Salão de 1931, evento que marcou a arte brasileira e ficou conhecido como “Salão Revolucionário”. Junto a modernistas como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, Cícero apresentou a obra Eu vi o mundo... ele começava no Recife, um gigantesco painel que media cerca de 15 metros de comprimento. “Havia nele uma narrativa e uma carga de sensualidade e sexualidade. As pessoas se revoltaram com tanta ‘pornografia’ e rasgaram o trabalho”, conta Max.

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Aconselhado por Di Cavalcanti, o pernambucano se muda para a Europa no final dos anos 1930, quando vai morar em Paris. “Lá, ele tem contato com o meio artístico local e desenvolve o próprio trabalho. Ele era um artista essencialmente figurativo, mas chega a Paris num ambiente de arte abstrata”, ensina o curador. “Ele vai produzir o que via: abstração. E era de extraordinária qualidade”.


Um dos quadros da série Entropias, inspirado nas estalactites — formações rochosas que surgem dos tetos das grutas —, é uma das mais importantes obras dessa fase e fez parte da primeira (e até então única) exposição dedicada à obra de Cícero em Fortaleza, ocorrida na própria Multiarte, há 22 anos.

 

A curadoria da exposição propõe o estabelecimento da trajetória do artista através das obras escolhidas, quase todas inéditas na Cidade

 
SERVIÇO

 

Exposição Cícero Dias (1907-2003)

Quando: de 30 de março a 5 de maio, das 10 às 19 horas

Onde: Galeria Multiarte (rua Barbosa de Freitas, 1727 - Aldeota)

Entrada franca.

Outras informações: 3261 7724

 

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EXPOSIÇÃO. ARTES PLÁSTICAS

Galeria Multiarte apresenta exposição com obras de Cícero Dias

28/03/2017 | 01:30
Galeria Multiarte apresenta exposição com obras de Cícero Dias

João Gabriel Tréz


Cícero Dias é “um dos mais importantes pintores modernistas brasileiros”. É assim que o artista pernambucano, nascido em 1907 na pequena cidade de Escada, é definido pelo galerista Max Perlingeiro. Parte do trabalho do modernista poderá ser vista, a partir da próxima quinta-feira, 30, na exposição Cícero Dias (1907-2003), na galeria Multiarte. A curadoria é dividida entre Max e Angela Grando, biógrafa do artista e doutora em Teoria da História da Arte Pela Universidade de Sorbonne. Além da mostra, que tem entrada gratuita, o público pode ainda participar de uma conferência proferida por Angela, que ocorre na própria quinta, às 19 horas — pede-se que os interessados confirmem presença por telefone.


Trajetória

A curadoria da exposição propõe o estabelecimento da trajetória do artista através das obras escolhidas, quase todas inéditas na Cidade. “Dá para seguir o percurso da pintura dele de uma forma muito positiva. Não é uma retrospectiva, pois seria muita pretensão, mas eu chamo essa exposição de ‘trajetória’”, conta Max à reportagem, em visita guiada à Galeria. O recorte curatorial, dividido em “núcleos”, promove uma viagem entre diferentes fases do artista, das aquarelas às pinturas, passando também pelas influências europeias.

Abrindo com gravuras e aquarelas feitas por Cícero na década de 1920, quando ele tinha cerca de 20 anos, a exposição revela de início um artista “vigoroso”. “Nas obras juvenis você vê o vigor do desenho. Ele não teve formação acadêmica. O percurso dos artistas era ir à Escola de Belas Artes, onde paisagem era paisagem, rua era rua, mulher era mulher”, ilustra. No entanto, Cícero transgredia esses padrões. “O artista moderno pinta o que não existe. Sobretudo um como ele, com uma carga onírica, surrealista, exagerada. Ele fez isso sem ter visto Chagall (1887-1985, pintor russo surrealista), por pura intuição e entusiasmo juvenil”.

 

Movimentações

As inspirações inicialmente intuitivas de Cícero foram se elaborando a partir das movimentações do artista: ele primeiro deixa Pernambuco e passa a morar no Rio de Janeiro, no final dos anos 1920. Na capital fluminense se depara com a efervescência artística do modernismo e participa do Salão de 1931, evento que marcou a arte brasileira e ficou conhecido como “Salão Revolucionário”. Junto a modernistas como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, Cícero apresentou a obra Eu vi o mundo... ele começava no Recife, um gigantesco painel que media cerca de 15 metros de comprimento. “Havia nele uma narrativa e uma carga de sensualidade e sexualidade. As pessoas se revoltaram com tanta ‘pornografia’ e rasgaram o trabalho”, conta Max.

 

Aconselhado por Di Cavalcanti, o pernambucano se muda para a Europa no final dos anos 1930, quando vai morar em Paris. “Lá, ele tem contato com o meio artístico local e desenvolve o próprio trabalho. Ele era um artista essencialmente figurativo, mas chega a Paris num ambiente de arte abstrata”, ensina o curador. “Ele vai produzir o que via: abstração. E era de extraordinária qualidade”.


Um dos quadros da série Entropias, inspirado nas estalactites — formações rochosas que surgem dos tetos das grutas —, é uma das mais importantes obras dessa fase e fez parte da primeira (e até então única) exposição dedicada à obra de Cícero em Fortaleza, ocorrida na própria Multiarte, há 22 anos.

 

A curadoria da exposição propõe o estabelecimento da trajetória do artista através das obras escolhidas, quase todas inéditas na Cidade

 
SERVIÇO

 

Exposição Cícero Dias (1907-2003)

Quando: de 30 de março a 5 de maio, das 10 às 19 horas

Onde: Galeria Multiarte (rua Barbosa de Freitas, 1727 - Aldeota)

Entrada franca.

Outras informações: 3261 7724

 

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